terça-feira, 24 de março de 2020

9 ANO - ATIVIDADE PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.


A ENTRADA DOS ESTADOS UNIDOS MUDA O RUMO DA GUERRA

Em 1917, após três anos de combates, os rumos do conflito ainda estavam indefinidos. Os Estados Unidos participavam economicamente da guerra até então, com empréstimos financeiros e fornecimento de suprimentos para a Tríplice Entente, pois temiam a derrota de seus aliados. No entanto, em abril de 1917, navios norte-americanos foram afundados por submarinos alemães, o que causou profunda indignação da opinião pública norte- -americana e levou o governo a declarar guerra à Alemanha.
Após a entrada dos Estados Unidos na guerra, a Tríplice Aliança sofreu sucessivas derrotas. Em 1918, a Rússia, que vivia uma revolução comunista em seu território, fez um acordo de paz com os alemães e deixou o conflito. Apesar da saída da Rússia, a Tríplice Entente cada vez mais impunha derrotas aos países inimigos. Dos países da Tríplice Aliança, somente a Alemanha ainda combatia os países da Entente, e com dificuldades cada vez maiores. Nesse contexto, o presidente norte-americano encaminhou ao governo alemão uma proposta de armistício, que propunha uma “paz sem vencedores” e o cessar-fogo imediato. A população alemã, animada com a possibilidade de ver a guerra encerrada, apoiou um movimento que depôs o imperador Guilherme II e proclamou a República. O novo governo republicano assinou a rendição, e a Tríplice Entente saiu vitoriosa. No entanto, a promessa feita à Alemanha não se cumpriu. Os países da Tríplice Entente consideraram-na culpada pela guerra e impuseram-lhe uma série de punições, como perdas de territórios e pagamento de altas indenizações. Considerando esse desfecho, o tratamento que os alemães receberam ao final dos conflitos da Primeira Guerra pode ser considerado uma das causas da Segunda Guerra Mundial. Liderados por Adolf Hitler, os alemães buscaram se vingar da humilhação que sofreram



O Tratado de Versalhes
Em janeiro de 1919, representantes das principais potências mundiais, exceto da Alemanha, reuniram-se na cidade francesa de Versalhes para discutir o plano de paz proposto pelos Estados Unidos. O resultado nas negociações foi a redação do Tratado de Versalhes. Os signatários do documento, porém, não cumpriram a promessa de “paz sem vencedores” feita aos alemães. A Alemanha não só foi considerada culpada pela guerra, como também:


  • perdeu todas as suas colônias e parte (1/8) de seu território – incluindo a Alsácia-Lorena, devolvida à França;
  • foi obrigada a manter uma área desmilitarizada na fronteira com a França;
  • teve seu Exército reduzido para 100 mil pessoas e sua Marinha, para 16 mil;
  • teve seu território dividido em duas partes pelo chamado “corredor polonês”, uma faixa de terra que ligava a Polônia ao mar Báltico;
  • foi obrigada a pagar 33 bilhões de dólares aos países da Tríplice Entente como indenização pelos custos da guerra.

Embora fizesse parte da Tríplice Aliança, a Itália lutou ao lado da Tríplice Entente na Primeira Guerra, após acordos com a Grã-Bretanha e a França. No entanto, ao final do conflito, esse país também se sentiu derrotado. Além de ter sofrido grandes perdas humanas e econômicas, a Itália ficou insatisfeita com os territórios que recebeu por sua colaboração. Frustrados, os italianos sentiram-se traídos pelos britânicos e franceses. Em meio às conferências ocorridas no final da guerra, foi criada em 1919 a Liga das Nações, um organismo internacional destinado a negociações entre países, com o objetivo de evitar futuras guerras. Embora tenha sido idealizada pelo presidente dos EUA, Woodrow Wilson, o país não participou efetivamente da Liga. Ao longo da década de 1920, embora tenha atuado em alguns conflitos, a Liga não se mostrou capaz de prevenir a escalada de hostilidades entre potências europeias, frustrando suas finalidades iniciais.

ATIVIDADE 1
A Primeira Guerra é uma espécie de patinho feio da cultura popular. Só para se ter uma ideia, a Wikipedia lista 70 filmes sobre o conflito. A Segunda Guerra tem 539. É fácil entender por que não rende muito entretenimento. Soldados atolados por meses em trincheiras [...] ou [...] forçados a avançar inutilmente contra metralhadoras dificilmente são material para blockbuster. As máquinas eram poucas, lentas e desengonçadas. E, se a Alemanha faz as vezes de vilão, o Kaiser Guilherme parece um monge tibetano se comparado a Adolf Hitler. Essa ausência [...] é [...] injusta com a importância da Primeira Guerra. O mundo de hoje foi parido pelo massacre. [...] Disponível em: . Acesso em: 18 jun. 2018.

1-    O fragmento aponta a Alemanha e o Kaiser Guilherme como possíveis “vilões” da Primeira Guerra. Considerando o que você estudou, indicar a Alemanha e o Kaiser como vilões ou culpados desse conflito é coerente com os fatos ocorridos antes da Primeira Guerra?
2-    Explique a frase: “O mundo de hoje foi parido pelo massacre.”
RESPONDA NO CADERNO

ATIVIDADE 2
  1.      Aponte abaixo os principais tratados feitos no pós guerra e suas decisões:
  2.      Explique as principais consequências destes tratados para a Europa pós guerra:
  3.      O que era a paz sem vencedores proposta pelos EUA? Por que ela não foi implementada?                          RESPONDA NO CADERNO

9 ANO - PRIMEIRA REPÚBLICA - TEXTOS

Abaixo seguem 3 textos complementares ao estudo sobre a Primeira República, boa leitura.

A REVOLTA DA VACINA

A Revolta da Vacina Independentemente da intenção real de seus promotores, a revolta começou em nome da legítima defesa dos direitos civis. Despertou simpatia geral, permitindo a abertura de espaço momentâneo de livre e ampla manifestação política, não mais limitada à estrita luta contra a vacina. Desabrocharam, então, várias revoltas dentro da revolta. Caminhou a conspiração militar – Centro das Classes Operárias, que buscava derrubar o governo; os consumidores de serviços públicos acertaram velhas contas com as companhias; os produtores mal pagos fizeram o mesmo com as fábricas; a classe popular dos aventurosos e belicosos, como os chamou Vicente de Souza, retomou em dimensões mais heroicas seu combate cotidiano com a polícia. E todos os cidadãos desrespeitados acertaram as contas com o governo. Era a revolta fragmentada de uma sociedade fragmentada. De uma sociedade em que a escravidão impedira o desenvolvimento de forte tradição artesanal e facilitara a criação de vasto setor proletário. A fragmentação social tinha como contrapartida política a alienação quase completa da população em relação ao sistema político que não lhe abria espaços. Havia, no entanto, uma espécie de pacto informal, de entendimento implícito, sobre o que constituía legítima interferência do governo na vida das pessoas. Quando parecia à população que os limites tinham sido ultrapassados, ela reagia por conta própria, por via de ação direta. Os limites podiam ser ultrapassados seja no domínio material, como nos casos de criação ou aumento de impostos, seja no domínio dos valores coletivos. A Revolta da Vacina permanece como exemplo quase único na história do país de movimento popular de êxito baseado na defesa do direito dos cidadãos de não serem arbitrariamente tratados pelo governo. Mesmo que a vitória não tenha sido traduzida em mudanças políticas imediatas além da interrupção da vacinação, ela certamente deixou entre os que dela participaram um sentimento profundo de orgulho e de autoestima, passo importante na formação da cidadania. O repórter do jornal A Tribuna, falando a elementos do povo sobre a revolta, ouviu de um preto acapoeirado frases que bem expressavam a natureza da revolta e este sentimento de orgulho. Chamando o repórter de “cidadão”, o preto justificava a revolta: era para “não andarem dizendo que o povo é carneiro. De vez em quando é bom a negrada mostrar que sabe morrer como homem!”. Para ele, a vacinação em si não era importante – embora não admitisse de modo algum deixar os homens da higiene meter o tal ferro em suas virilhas. O mais importante era “mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo”. CARVALHO, José Murilo. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p.138-139. 


Reflexão sobre a relação da República com os grupos populares e vice-versa. 

O pecado original da República 

[…] De acordo com os dados do censo de 1920, teremos uma população total, representada pelo círculo maior, de 30,6 milhões. Este é o povo do censo que, pelo menos em tese, possuía direitos civis. Mas quantos desses cidadãos civis eram também cidadãos políticos, quantos pertenciam ao corpo político da nação? Para calcular esse número, temos primeiro que deduzir do total os analfabetos, proibidos por lei de votar. O analfabetismo, na época, atingia 75,5% da população. Feito o cálculo, restam 7,5 milhões. Depois, é preciso descontar as mulheres. Embora a lei não lhes negasse explicitamente o direito do voto, pela tradição não votavam. Ficamos com 4,5 milhões. Os estrangeiros também não tinham o direito do voto. Nosso número cai para 3,9 milhões. Finalmente, os homens menores de 21 anos também não votavam. Ficamos reduzidos a míseros 2,4 milhões de brasileiros legalmente autorizados a participar do sistema político por meio do voto. Ficam fora do sistema, excluídos, 28,2 milhões, 92% da população. Se eram poucos os que podiam votar, menos ainda eram os que de fato votavam. Nas eleições presidenciais de 1910, uma das poucas em que houve competição, disputando Rui Barbosa contra o marechal Hermes da Fonseca, a abstenção foi de 40%. Os votantes representaram apenas 2,7% da população. No Rio de Janeiro, capital da República, onde 20% da população estava apta a votar, compareceu às urnas menos de 1%. Votar na capital era até mesmo perigoso devido à ação dos capangas a serviço dos candidatos. Quem tinha juízo ficava em casa. Como disse Lima Barreto de sua República dos Bruzundangas: “[Os políticos] tinham conseguido quase totalmente eliminar do aparelho  eleitoral este elemento perturbador – o voto”. 
A eliminação do voto completava-se com a fraude. Ninguém podia ter certeza de que seu voto seria contado a favor do candidato certo. Significa isso que o povo da Primeira República não passava da carneirada dos currais eleitorais e da massa apática dos excluídos? Seguramente que não. Por fora do sistema legal de representação havia ação política, muitas vezes violenta. Entre os poucos que votavam, os que escolhiam não votar e os muitos que não podiam votar, havia o que chamo de povo da rua, isto é, a parcela da população que agia politicamente, mas à margem do sistema político, e às vezes contra ele. É difícil calcular o tamanho desse povo. Podemos apenas surpreendê-lo em suas manifestações. E podemos também dizer que ele existia tanto nas cidades como no campo. Nas cidades, sobretudo nas maiores, a tradição de protesto vinha de longe e manifestava-se o mais das vezes nos quebra-quebras. Ela se intensificou a partir da proclamação da República, atingindo o ponto máximo no protesto contra a vacinação obrigatória em 1904. A novidade republicana ficou por conta do movimento operário em fase de organização. Foram inúmeras as greves que atingiram a capital da República e São Paulo, além de outras capitais. Seu auge verificou-se durante a Primeira Guerra Mundial e nos anos que a seguiram. Calculou-se que 236 greves foram feitas na capital e no estado de São Paulo entre 1917 e 1920, envolvendo cerca de 300 mil operários. Em torno de 100 mil operários participaram da greve geral de 1917 no Rio de Janeiro. Outra novidade republicana foi a participação política dos militares, jovens oficiais e praças. A mais conhecida e mais dramática dessas manifestações foi a revolta dos marinheiros contra o uso da chibata, em 1910, em que se destacou o marinheiro João Cândido. O efeito político das manifestações urbanas foi limitado porque elas se davam fora dos mecanismos formais de representação. O próprio movimento operário, na medida em que era orientado pelo anarcossindicalismo, sobretudo em São Paulo, fugia da participação eleitoral e nunca organizou um partido político duradouro até que fosse fundado o Partido Comunista, em 1922. No mundo rural, foi igualmente intensa a participação do povo. Aí também havia uma longa tradição que foi intensificada pelas mudanças políticas introduzidas pelo novo regime. As figuras centrais das agitações rurais eram beatos e cangaceiros. O mais dramático de todos esses movimentos, pelo número de mortos, foi sem dúvida o de Antônio Conselheiro nos sertões da Bahia. A seu modo, os beatos do Conselheiro agiram politicamente, ao recusar o pagamento de impostos, ao rejeitar mudanças nas relações entre Igreja e Estado. Lutando contra a “lei do cão” do novo regime, os rudes sertanejos humilharam o Exército, que contra eles lançou quatro expedições, e deram um exemplo único em nossa história de fidelidade incondicional às crenças adotadas. Movimento semelhante ao de Canudos foi o do Contestado, localizado em terras disputadas entre Paraná e Santa Catarina. O monge José Maria dera-lhe início ainda no Império. Proclamada a República, seu sucessor reagiu contra o que chamava de “lei da perversão”, o equivalente da “lei do cão” do Conselheiro. A partir de 1911, outro sucessor de João Maria, José Maria, lançou um manifesto monarquista e nomeou imperador um fazendeiro analfabeto. Criou uma sociedade assemelhada ao comunismo primitivo, sem dinheiro e sem comércio. Canudos e Contestado foram combatidos e destruídos com violência pelo Exército, que não hesitou em usar canhões contra sertanejos pobremente armados. No Ceará, padre Cícero organizou uma comunidade sertaneja que, à época de sua morte, em 1934, contava 40 mil pessoas. Padre Cícero não contestava o sistema, como o Conselheiro e José Maria. A seu modo, agindo mais como coronel político, fundou uma República paternalista muito próxima da população. Manipulando valores tradicionais e colocando-os a serviço da modernidade, reduziu a distância entre o legal e o real, aproximou da população o poder. Alguns de seus seguidores, como os beatos José Lourenço, Severino e Senhorinho, fundaram comunidades radicais ao estilo do Contestado. Padre Cícero entendeu-se com os poderes da República e foi tolerado. Os três beatos foram massacrados juntamente com seus seguidores. Os cangaceiros, frutos do mesmo meio social que gerou os beatos, mantinham, como padre Cícero, contatos estreitos com os poderes da República. Mas fugiam ao controle dos coronéis e dos governos estaduais. Foram também combatidos sem trégua e destruídos. Beatos e cangaceiros representavam formas de organização e de reação construídas à margem do sistema político. Canudos, Contestado, e mesmo o Juazeiro do padre Cícero, eram modelos alternativos de República. Apesar de inviáveis por serem produtos do isolamento geográfico e da imensa distância cultural entre a população e o mundo oficial, essas Repúblicas foram destruídas a ferro e fogo e só deixaram traços na memória popular. A exceção foi Canudos, que foi imortalizado por Euclides da Cunha, não por acaso um intelectual estranho no ninho das elites. O grosso do povo excluído era mantido sob controle pela própria organização social do mundo rural, baseada na grande propriedade. O povo eleitoral era enquadrado pelos mecanismos de cooptação e manipulação. O povo da rua era quase sempre tratado à bala, nas cidades ou no campo. Mas a República usou também métodos menos violentos para lidar com seus excluídos. Produziu missionários do progresso que se puseram a catequizar os  cidadãos incultos e tratar os doentes. Foram missionários do progresso Pereira Passos, reformador do Rio de Janeiro, Osvaldo Cruz, saneador da cidade, Artur Neiva e Belisário Pena, saneadores dos sertões. O maior de todos eles, no entanto, foi o general Rondon, positivista ortodoxo, que dedicou boa parte da vida à proteção dos indígenas. Muito superiores pelos métodos aos que destruíam pela força os movimentos populares, esses missionários não estiveram imunes a uma visão tecnocrática e autoritária. O povo para eles era massa inerte e analfabeta a ser tratada, corrigida e civilizada. De certo modo, eram messias leigos, com a diferença de que não tinham o apoio popular dos messias do sertão. A Primeira República, em seus 41 anos de existência, não fez jus às promessas da propaganda de promover a ampliação da participação política, o autogoverno do povo. Não unificou os três povos, não os incorporou. Não transformou em cidadãos o jeca doente de Monteiro Lobato e dos higienistas, o áspero sertanejo de Euclides, os beatos de Canudos e do Contestado, o bandido social do cangaço, o anarquista do movimento operário. A ausência de povo, eis o pecado original da República. Esse pecado deixou marcas profundas na vida política do país. Quando, em meio à crise de nossos dias, assistimos ao aumento da descrença nos partidos, no Congresso, nos políticos, de que se trata se não da incapacidade que demonstra até hoje a República de produzir um governo representativo de seus cidadãos? 

CARVALHO, José Murilo de. O pecado original da República. Revista de Hist—ria. Disponível em: . Acesso em: 10 jul. 2018. 

Sobre a relação da República com o movimento de Canudos. 

O arraial de Canudos e o silêncio do massacre 

A República procurou converter Canudos num grande exemplo: da barbárie contra a civilização; do atraso contra a modernidade. Faz 120 anos que ocorreu, no distante interior da Bahia, um levante popular que invadiu a imaginação dos brasileiros. Mais do que uma revolta isolada, Canudos anunciava a existência de muitos Brasis, no mesmo Brasil, e o descobrimento dos “sertões”, que acabaram virando metáfora ligeira para designar tudo o que não se conhecia ou encontrava-se afastado da civilização que a República inventou. O fato é que, diferente da “modernidade” que os novos tempos prometiam, estouraram, em várias regiões do país, movimentos sociais que combinavam a questão agrária e a luta pela posse de terra com traços fortemente religiosos. Levantes como Contestado, Juazeiro, Caldeirão, Pau-de-Colher e Canudos representaram o lugar do encontro entre a mística e a revolta; um resultado pouco previsto do nosso processo de urbanização acelerada, e de desatenção com esse grande contingente populacional. Abandonados por uma República que fazia da propriedade rural a principal fonte do poder oligárquico, grupos de sertanejos buscaram transpor o abismo que os separava da posse da terra, teceram relações entre a história e o milenarismo, e sonharam viver numa comunidade justa e harmônica. E foi em 1896 que começou o conflito armado de maior visibilidade da Primeira República, prontamente transformado em bode expiatório nacional: um cancro monarquista, diziam as elites reunidas na capital, e muito distantes da mentalidade desses sertões. Já em 1897, com a missão de cobrir os acontecimentos para “O Estado de São Paulo”, partiu convicto o jornalista Euclides da Cunha. Republicano de carteirinha, ele havia embarcado para a Bahia com a certeza de que a República derrotaria rápido essa “horda desordenada de fanáticos maltrapilhos”, acoitados num frágil arraial. Descobriu, porém, totalmente atônito, uma guerra longa e misteriosa, um adversário com enorme disposição para o combate, um refúgio sagrado, uma comunidade organizada e uma terra desconhecida para ele e, aliás, para boa parte da intelectualidade acastelada na cidade do Rio de Janeiro. E foi justamente a partir do impacto profundo dessa descoberta, que Euclides mudou de ideia, e tornou- -se um grande escritor. Em vez da certeza das teorias deterministas – que condenavam a “terra dos sertões” e “as raças dos sertanejos” – sua narrativa assumiu um tom de denúncia. O jornalista fez muito mais que uma reportagem de guerra: revelou o efeito das secas na paisagem arruinada do sertão baiano e a devastação do meio ambiente produzida pelas queimadas no semiárido nordestino; inscreveu na natureza uma feição dramática capaz de projetar imagens de medo, solidão, abandono; reconheceu no mundo sertanejo uma marca do esquecimento secular e coletivo do país. Lido alto, o trecho sobre a terra chega a sibilar, e conta uma trajetória diferente e comum de devastação da nossa natureza. Em 1902 publicou “Os Sertões”, onde retomou a história da guerra contra Canudos com um enfoque ainda mais amplo. Euclides manteve porém o mesmo tom de indignação. Responsabilizou a Igreja, a República, o governo baiano e o Exército pelo massacre. Descreveu a guerra como um fratricídio, uma matança entre irmãos, com direito à decapitação dos prisioneiros, o calvário dos resistentes dizimados por fome, sede, doenças e pelos projéteis dos militares. Seu livro virou monumento. A partir de então a Guerra ou Campanha de Canudos – esse movimento sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro e que durou de 1896 a 1897 – ganhou  o país. Com o passar do tempo, a região fora ocupada por uma série de latifúndios decadentes, era assolada por crises cíclicas de seca, e contava com milhares de sertanejos que peregrinavam sem emprego pelo sertão baiano. Fora apenas em 1893 que Conselheiro e seus seguidores haviam chegado a Bom Conselho, na Bahia. Ali assistiram a uma cobrança de impostos, que havia aumentado muito com o advento da República, e, diante do povo reunido num dia de feira, arrancaram e queimaram os editais pregados nos muros do vilarejo. Foi o suficiente para o governador do estado enviar soldados para prender o beato e dissolver seu grupo. Mas nada aconteceu como o previsto. Os policiais foram derrotados pelos sertanejos e a comunidade foi crescendo: de 230 chegaram a 24 mil habitantes, tornando-se o arraial de Belo Monte um dos mais populosos da Bahia. Canudos incomodou a todos: era uma nova maneira de viver no sertão. É certo que o arraial não chegou a representar uma forma de vida igualitária. Mas é certo também que se tratava de uma experiência social e política distinta: o trabalho no arraial baseava-se no princípio de posse e uso coletivo da terra, e na distribuição do que nela se produzia. O resultado da produção era dividido entre o trabalhador e a comunidade, a autoridade religiosa do Conselheiro não dependia do reconhecimento da Igreja Católica, e Canudos não estava submetido nem aos proprietários de terra nem aos mandões locais. A República resolveu liquidar Canudos, enviando quatro expedições subsequentes. A última delas alcançou a região em março de 1897 e era composta de 421 oficiais e 6160 soldados armados até os dentes. Em outubro de 1897, o Exército garantiu que quem se rendesse sobreviveria. Mas o acordo não foi cumprido, e muitos dos homens, mulheres e crianças que se entregaram foram degolados. A foto de Flavio de Barros foi tirada minutos antes da matança geral e até hoje guarda as marcas da dor, do desespero e do desatino nas expressões. Como se vê, lá estavam sobretudo mulheres e crianças entregues às forças da República. No dia 5 do mesmo mês o arraial foi invadido, queimado com querosene e dinamitado. A República procurou converter Canudos num grande exemplo: da barbárie contra a civilização; do atraso contra a modernidade. O corpo de Antônio Conselheiro também fez parte da performance. Seu crânio foi levado à capital, para que o médico Nina Rodrigues e a ciência determinista da época dessem a última palavra sobre “loucura e mestiçagem”. Havia mesmo um abismo fundo entre as diferentes partes do país. Talvez a melhor expressão desse descompasso esteja no desabafo de Euclides da Cunha, bem no final de Os Sertões: “Fechemos este livro […] Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos. Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem”. Enfim o Brasil mostrava suas várias faces e a vertigem que ia criando entre realidades tão distintas. Não por acaso, nesse mesmo contexto, ganham fama chefes de bandos armados como Antônio Silvino, Lampião e Antônio Dó; personagens ambíguos, representativos de uma alternativa às relações de poder enraizadas na posse da terra, mas que também reproduziam as antigas marcas da violência e do arbítrio da história brasileira. O trecho de Euclides lembra o ensaio de Walter Benjamin descrevendo o retorno das tropas na Segunda Guerra Mundial. Vinham caladas, como se as palavras não dessem conta de narrar o horror da morte, do massacre e, no nosso caso, do descompasso entre a cidade e os muitos sertões brasileiros. 
Nova história; velha história! SCHWARCZ, Lilia Moritz. O arraial de Canudos e o silêncio do massacre. Retirado de . Acesso em: 9 jul. 2018. 

AULA 2 - FEUDALISMO - ATIVIDADES E TEXTOS - CAJF

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segunda-feira, 23 de março de 2020

Primeira Guerra Mundial - 9 ano


Sugestão de documentário abaixo, é só clicar no link.



Grande Guerra, como foi chamada por seus contemporâneos, antes de acontecer a Segunda Guerra Mundial, envolveu países de diversos continentes. A disputa era liderada por dois blocos que se enfrentaram: a Tríplice Aliança, composta por Alemanha, Áustria e Itália e; a Tríplice Entente formada por França, Inglaterra e Rússia.
Estes países já haviam passado pelo processo de unificação territorial que ocorreu na Europa em meados de 1848.

Primeira Guerra Mundial

Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918, foi um conflito político e militar entre as principais potências econômicas do início do século XX. A Grande Guerra devastou as nações envolvidas, gerando traumas, problemas econômicos e muitas outras consequências que falaremos mais a frente.
Para compreender os motivos e as consequências de uma das guerras mais devastadoras é preciso retomar alguns aspectos e o cenário político e econômico mundial.
Além do enfrentamento direto das nações citadas, outras dezenas de países se envolveram na Primeira Guerra Mundial, como por exemplo Brasil, Estados Unidos, Itália, Portugal, China, Império Turco-Otomano, entre outros. O saldo final do conflito contabilizou mais de 10 milhões de mortos, entre militares e civis e mais de 20 milhões de feridos.

Causas da Primeira Guerra Mundial

As motivações para o desencadeamento da Primeira Guerra Mundial aconteceram ao longo do século XIX e XX e foram se somando até que o conflito eclodiu de fato.
Entre o final do século XIX e início do século XX, o mundo encontrava-se dividido e explorado pelas grandes potências europeias e os Estados Unidos. Em todos os cinco continentes havia dominação imperialista e as grandes potências brigavam para expandir seus territórios.
Devido ao desenvolvimento das indústrias e da economia de forma geral, o Império Alemão chegou a superar a Inglaterra em vários setores. Os alemães tomaram o mercado antes dominados pelos ingleses na Europa e no Oriente. A consagrada marinha inglesa se via ameaçada pelo grande crescimento da marinha alemã e temia a perda da sua hegemonia.
Em 1870, a Alemanha já tinha ganhado outro inimigo ao vencer a França na Guerra Franco-Prussiana, conquistando a região da Alsácia-Lorena. Com a derrota, os franceses tiveram que entregar a região rica em jazidas de ferro e carvão mineral. Nos anos seguintes os franceses sentiram-se humilhados por terem que importar carvão dos alemães.
Enquanto os germânicos começavam a colecionar inimigos, o governo e a imprensa tentavam convencer a população de que uma guerra seria benéfica. Junto ao crescimento econômico, o discurso inflamado e a propaganda, a tensão entre as nações europeias estava prestes a explodir.
Por ter chegado atrasada na distribuição das colônias na Ásia e na África, a Alemanha e a Itália ficaram apenas com as “migalhas do banquete imperialista”. Para conseguir mais colônias, uma solução apontada pelo governo germânico era atacar e dominar os países já colonizados.
Enquanto todos esses eventos aconteciam na Europa ocidental, no lado oriental do continente a Rússia, governada por um Cezar (imperador), tinha interesses em estender seu território na região dos Bálcãs. O problema é que o Império Austro-Húngaro pretendia a mesma coisa.
Como o Império Austro-Húngaro era formado por vários povos, entre eles os tchecos, eslovacos, croatas, poloneses e sérvios, a Rússia pretendia criar um Estado único para unir todos os povos eslavos, o que ficou conhecido como pan-eslavismo. Para isso, começou a estimular a revolta anti-austríaca.

Política das alianças

Diante de tantas tensões e faíscas, os países europeus começam a criar alianças para que houvesse apoio entre ambas caso uma delas fossem atacadas. Além disso, as alianças envolviam acordos políticos, militares e financeiros secretos.
As alianças foram divididas da seguinte forma:
  • Tríplice Aliança: formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha (mais tarde a Itália entra para a Tríplice Entente).
  • Tríplice Entente: formada em 1907 por Rússia, Grã-Bretanha e França.

Estopim da Primeira Guerra Mundial

Com toda essa situação crítica, a Europa tornou-se um barril e pólvora. O pavio desse barril foi aceso quando o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, resolveu visitar Sarajevo, capital da Bósnia. Enquanto o futuro rei da Áustria desfilava em carro aberto pelas ruas de Sarajevo, um terrorista da organização mão-negra disparou contra Ferdinando.
A Áustria acusou a Sérvia de estar envolvida no atentado e a troca de insultos culminou na troca de tiros em 1914. A partir daí, a Rússia declarou guerra à Áustria; Alemanha declarou Guerra à Rússia e França e Inglaterra entraram no conflito logo em seguida. A Itália tinha recebido a promessa de obter territórios que estavam dominados pela Áustria, por isso, entrou para o lado da Tríplice Entente.

Fases da Primeira Guerra Mundial

Primeira Guerra Mundial
Primeira Guerra Mundial pode ser dividida em três fases. A primeira fase é conhecida como Guerra de Movimento (1914), a segunda fase é a Guerra de Trincheiras (1915 – 1917) e, por fim, a Segunda Guerra de Movimento ou Fase Final (1918).
Nos primeiros meses as tropas tiveram como estratégia a movimentação e a ocupação dos fronts. Os alemães se movimentaram rapidamente e em poucas semanas já estavam próximo de Paris.
A partir de 1915, a segunda fase tinha como estratégia tentar conservar as posições dos fronts sem perder território para os inimigos. As trincheiras eram complexos de túneis, valas e abrigos. Ali os soldados lutavam, dormiam e comiam. Contudo, estavam expostos aos ataques aéreos, armas químicas e doenças. Os fronts eram protegidos com cercas de arames, colunas de ferros e sacos de areia.
A Guerra de Trincheira foi o período mais sangrento dessa batalha. Os conflitos aconteciam, quase sempre, nas áreas rurais e as conquistas territoriais eram lentas. Nesse período os dois blocos estavam equilibrados e a guerra ainda não apontava um vencedor.
A terceira e última fase foi marcada pela entrada de novas armas e um contingente grande de soldados enviados pelos Estados Unidos para o bloco da Entente. Em 1917, devido a um processo revolucionário (a Revolução Russa), a Rússia deixou a guerra.
A chegada dos norte-americanos possibilitou a invasão da Itália e da França. No final de 1918, já com sinais de fracasso, o povo alemão pressionou o rei Guilherme II que abdicou do trono. Em seguida foi instaurada a república no país e a Alemanha teve sua derrota decretada na Primeira Guerra Mundial. A paz só foi de fato estabelecida em 1919, depois da assinatura do Tratado de Versalhes

Consequências da Primeira Guerra Mundial

Dentre as principais consequências da Primeira Guerra Mundial, podemos destacar cerca de  milhões de mortos entre civis e militares o que provocou uma mudança no mapa da Europa. Os países derrotados entraram em grandes crises, problemas sociais como o desemprego, fome, pobreza e grande instabilidade política e social, fato que favoreceu o surgimento de regimes totalitários anos depois na Europa.
Além disso, é fundamental compreender o Tratado de Versalhes assinado em 1919, na qual a Alemanha foi considerada responsável pela guerra e deveria pagar indenização aos países vitoriosos. Neste tratado a região da Alsácia-Lorena foi reincorporada à França e os alemães foram proibidos de continuar com a produção de armamento.
Por fim, houve a criação da Liga das Nações, uma organização internacional com objetivo de reunir as potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial para negociar acordo de paz e evitar novos conflitos mundiais. Sua criação foi baseada nos 14 pontos do presidente americano Woodrow Wilson, em que consistia em bases fundamentais para a reorganização ordem mundial no pós-guerra.

Brasil na Primeira Guerra Mundial

participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial foi tímida e aconteceu apenas no último ano, a partir 1917. Não houve envio de soldados brasileiros para as batalhas. Após o ataque de um navio brasileiro carregado de café por navio alemães, o Brasil declarou guerra à Tríplice Aliança.
A participação brasileira se deu através do envio de equipes médicas, de armamentos e equipamentos de soldados, além da exportação de produtos agrícolas como café, borracha, açúcar e demais gêneros aos aliados da Entente.
Agora que você estudou sobre a Primeira Guerra Mundial, que tal praticar alguns exercícios para fixar o conteúdo e aprimorar seus conhecimentos?
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sexta-feira, 20 de março de 2020

MESOPOTÂMIA - GRANDES CIVILIZAÇÕES


MESOPOTÂMIA





Com o domínio da agricultura, há cerca de 10 mil anos, a humanidade deixou de ser nômade, isto é, de não ter lugar fixo para morar, sobrevivendo da caça e da coleta. Desde então, o homem começou a domesticar plantas e animais e a viver em torno de suas produções, o que levou ao surgimento da primeira civilização: a Mesopotâmia.
Na Mesopotâmia se desenvolveram várias técnicas e muitas invenções surgiram. Criaram a escrita, a roda, a astronomia e desenvolveram com muita maestria a matemática, a engenharia, entre outros conhecimentos.
Nesse super resumo da Mesopotâmia, vamos aprender sobre a importância de dois rios, a sociedade, as invenções, a arte, a religião, a economia desses povos que formaram a primeira civilização da história. Aproveite!

O que é Mesopotâmia?

A Mesopotâmia é uma das primeiras civilizações conhecidas e desenvolveu-se entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, atualmente onde é o território da Síria e, principalmente, do Iraque. Seu surgimento se deu por volta do ano 5.000 a.C.
Ao longo de aproximadamente 4.500 anos, foi habitada por diversos povos que ora conviviam em harmonia, ora se confrontavam. Entre eles, podemos citar os sumérios, acádios, amoritas (ou antigos babilônios), assírios e caldeus (ou novos babilônios).
Esses povos trocaram suas culturas entre si. Assim, por exemplo, a língua, a escrita e a religião passaram a ser características comuns dos mesopotâmicos. Por essa razão, todas essas sociedades citadas acima, podem ser estudadas em conjunto, formando uma única civilização.

O que significa Mesopotâmia?

A palavra Mesopotâmia foi criada pelos gregos antigos para designar a civilização que vivia entre os rios Tigres e Eufrates. Em grego, “meso” significa “no meio” e “potamos” é rio, portanto Mesopotâmia é “aqueles que estão entre os rios”, ou, também, “terra entre rios”.
Lembrando que os próprios mesopotâmicos não se chamavam assim durante sua história. Esse nome foi criado para se referir aos povos que citamos acima.

História da Mesopotâmia

O desenvolvimento da agricultura e a criação de animais aconteceram em diferentes momentos e lugares. A Mesopotâmia foi uma das primeiras regiões em que essas atividades ocorreram.
Inicialmente, os grupos que lá se estabeleceram eram basicamente caçadores-coletores nômades e produziam instrumentos feitos de pedra, osso e madeira. Aos poucos, esses grupos começaram a cultivar vegetais e animais. Graças à isso, eles passaram a permanecer nos lugares que ocupavam, formando as primeiras aldeias.
Entre os produtos cultivados por eles, podemos citar a cevada, a tâmara, o linho, o gergelim, a cebola, o alho, entre outros. Os primeiros animais a serem domesticados foram ovelhas, cabras, porcos, bois e outros.
É importante ressaltar que a região da Mesopotâmia é desértica, portanto, para o desenvolvimento agropecuário os mesopotâmicos aprenderam a lidar com as condições naturais. Na época das cheias, os rios transbordavam e inundavam as áreas da planície. Quando as águas baixavam, uma mistura de barro e húmus se depositavam sobre a terra, favorecendo o cultivo agrícola.
Você já deve ter visto que os egípcios também utilizavam as cheias do rio Nilo para tornar as terras cultiváveis. Por essa capacidade de aproveitar as condições naturais de rios com características parecidas, os historiadores chamam a região compreendida entre a Mesopotâmia e o Egito de “Crescente Fértil”.

As cidades da Mesopotâmia

As primeiras cidades da Mesopotâmia originaram das aldeias onde a população cresceu e seus habitantes diversificaram seus ofícios. Foi o caso, por exemplo, de Ur, Uruk, Nippur, Lagash e Eridu, que surgiram ao sul da Mesopotâmia, na Suméria, por volta de 4.000 a.C.
Nas cidades, grandes construções foram erguidas, como templos religiosos, casas, prédios públicos, ruas, pontes e palácios. Ao redor de algumas cidades foram construídas muralhas e torres de vigilância. Os templos de poder nas cidades eram os templos e o palácio real.
Ao norte, na região dos assírios, grandes cidades foram construídas também. Nínive foi chamada no Antigo Testamento de “cidade extremamente grande”. Assur foi a primeira capital do império assírio.

A família na Mesopotâmia

As famílias mesopotâmicas eram diferentes das que conhecemos hoje. São chamadas por estudiosos de “famílias alargadas”, pois eram formadas por avós, pais, filhos, tios, primos, netos, genros, noras, todos vivendo sob o mesmo teto. Ao casar, o homem levava a mulher para morar e trabalhar nas terras da família dele.
Mas essa composição familiar não foi sempre assim. Com o passar do tempo, por volta de 2000 a.C., as grandes famílias deram lugar às famílias mais restritas, compostas por pais, filhos e algumas pessoas próximas.
Muitas famílias tinham seus próprios campos, plantações e rebanhos. Graças às riquezas das terras férteis, algumas dessas famílias tornaram-se mais poderosas que outras. Assim, começaram a surgir as primeiras desigualdades econômicas.

A religião na Mesopotâmia

Os povos mesopotâmicos eram politeístas, ou seja, cultuavam diversos deuses ao mesmo tempo, muitos relacionados à natureza. Por exemplo, Anu era considerado o deus do céu; Ishtar era a deusa da fertilidade e do amor; Enlil era do deu do ar; Shamash a divindade do sol e da justiça.
Eles acreditavam que após a morte o espírito das pessoas ia para um mundo inferior, um lugar sem retorno. Por esse motivo, homens e mulheres queriam aproveitar ao máximo suas vidas, e talvez, por isso, a juventude era considerada a melhor etapa da vida.
As cidades tinham um deus protetor, e os moradores construíam um templo para esse padroeiro. Mas algumas cidades tinham templos para vários deuses. Só na Babilônia havia cerca de 50 construções dedicadas à religião.
No templo, os sacerdotes conduziam as cerimônias religiosas. Eles também exerciam atividades econômicas e influência política, sobretudo nas cidades sumérias.
Zigurate era uma típica construção religiosa. Era composto de várias plataformas, sugerindo o formato de uma torre de vários andares. No topo, era erguido o templo ao deus local. As torres também eram utilizadas como observatórios astronômico, de onde os sacerdotes observavam o céu para estudar as estrelas.

A escrita na Mesopotâmia

escrita suméria é considerada a mais antiga do mundo. Por que será eles criaram a escrita?
A vida nas cidades mesopotâmicas tornava-se cada vez mais complexa. Os sacerdotes, por exemplo, já não podiam confiar apenas na memória para registrar os empréstimos de animais, o pagamento a comerciantes, o controle de produtos estocados em seus armazéns, etc. Por isso, eles inventaram uma forma de registrar que pudesse ficar gravada, ou seja, a escrita.
A partir de 3000 a.C, o uso da escrita ganhou outros espaços e passou a servir para registrar ensinamentos religiososleis, literatura, etc. Assim, os mesopotâmicos foram os primeiros povos a registrar seu cotidiano.
Para escrever, os sumérios utilizavam uma placa de argila molhada e uma peça de madeira ou metal em forma de cunha. Foi devido a esse instrumento que a escrita ficou conhecida como cuneiforme. Depois era só cozinhar a argila no forno para que a placa ficasse rígida e os registros gravados.

Direito na Mesopotâmia

Foi na Mesopotâmia que criaram as primeiras leis escritas. O código mais antigo que se tem conhecimento é o Código de Hamurabi, rei da Babilônia.
O chamado Código de Hamurabi reunia normas sobre diversos assuntos da vida cotidiana. Trava de crimes, questões comerciais, divisão social, casamento, herança, etc. Esse conjunto de leis instituiu o princípio (ou lei) de Talião. Uma vítima poderia se vingar praticando o mesmo mal recebido pelo seu agressor. O princípio de Talião proporcionou a conhecida frase: “olho por olho, dente por dente”.
Todas essas normas foram estabelecidas a partir de costumes que já eram praticados entre os povos da Mesopotâmia, mas só foram organizadas em forma de leis a partir da escrita.

Política na Mesopotâmia

A partir do ano 2.000 a.C., o poder do rei começou a ser passado a seus parentes, dando origem às monarquias hereditárias. Na sociedade mesopotâmica, o poder do rei estava ligado à religião, pois ele era visto como uma pessoa enviada por deus para governar aquela sociedade. Portanto, a vontade do rei era também a vontade de deus.
Com o passar do tempo, os reis dominaram boa parte da economia, controlando uma série de oficinas, onde eram produzidos objetos de metal, cerâmica, tecidos, mobílias, etc. Com exceção da elite, o restante da população masculina livre era obrigada a fazer trabalhos para o rei. Poderia ser a construção de palácios, de muralhas da cidade, canais de irrigação, celeiros, etc. A imposição dessas obrigações é conhecida como servidão coletiva.

Cultura na Mesopotâmia

arquitetura desponta como uma das principais expressões artísticas da Mesopotâmia, principalmente os palácios e os templos. A escultura e a pintura faziam parte da decoração do interior das construções, e, geralmente representavam seus deuses, os reis, a vida cotidiana, os guerreiros, a criação de animais e as plantações.
Na literatura, o principal destaque é a Epopeia de Gilgamesh. Trata-se de um poema escrito pelos sumérios por volta do ano 2000 a.C. Gilgamesh era um rei de Uruk e procurava a imortalidade. A epopeia foi encontrada na antiga cidade de Nínive, em escavações arqueológicas no ano de 1849. Lendo essa história podemos observar diversos elementos da mentalidade e da cultura dos mesopotâmicos, como a busca pelo poder e a visão da vida e da morte.

Mesopotâmia e Egito

Egito e a Mesopotâmia têm muitas características em comum. Juntos, formaram as primeiras civilizações da humanidade e contribuíram com a criação e o desenvolvimento de diversas coisas que são essenciais para a vida humana moderna.
Podemos citar os rios Tigre, Eufrates e Nilo como condições fundamentais para a prosperidade das ambas as civilizações. Graças às suas cheias, as regiões desérticas que compreendiam os dois povos, eram fertilizadas e produziam muitas riquezas.
As religiões eram politeístas, baseadas em deuses ligados à natureza. Nas duas civilizações, a religiosidade estava atrelada ao poder. Servia para legitimar o poder do rei com a justificativa de ser um enviado de deus. No Egito, especificamente, o faraó era considerado o próprio deus encarnado.
Egípcios e mesopotâmicos coexistiram e fizeram grandes trocas culturais, praticaram o comércio entre seus povos e despontaram como grandes civilizações.

Características da Mesopotâmia

Vimos muita coisa sobre a Mesopotâmia até aqui. Aprendemos sobre cultura, religião, história, política… Vamos analisar, através de um esquema, as principais características dos povos mesopotâmicos e ressaltar as coisas mais importantes que você precisa saber.
  • Sociedade hidráulica (dependência dos rios Tigre e Eufrates);
  • Religião politeísta (crença em vários deuses);
  • Monarquia hereditária (poder passado de pai para filho);
  • Invenção da escrita (cuneiforme);
  • Desenvolvimento da agropecuária;
  • Criação de códigos registrados através da escrita (Código de Hamurabi);
  • Coexistência de vários povos (sumérios, acádios, caldeus, amoritas e assírios);
  • Surgimento da astronomia (observação do céu pelos sacerdotes).

Curiosidades da Mesopotâmia

Por ter sido a civilização mais antiga, os mesopotâmicos foram precursores de várias invenções e tecnologias da humanidade. Foram eles que chegaram na frente ao descobrir várias técnicas, formas de construção, desenvolvimento agrícola, etc.
A roda, por exemplo, foi inventada há cerca de 6 mil anos para o transporte de grandes blocos de pedras utilizadas nas construções de templos e palácios. Mais tarde esse invento revolucionou os transportes e proporciona hoje a utilização de carros, aviões, bicicletas, etc.
Os canais e diques utilizados na irrigação das lavouras até os dias atuais, também foram criados pelos mesopotâmicos diante da necessidade de levar água para plantações mais distantes das margens dos rios Tigre e Eufrates.
Na matemática, desenvolveram cálculos, números e formas de calcular áreas. Graças à necessidade de construir templos e palácios, a matemática teve que ser aprimorada.
História é mesmo uma matéria incrível. Por meio dela, descobrimos como viviam os povos antigos e quais legados eles nos deixaram. Podemos perceber como os objetos, as técnicas, as formas de pensar foram se desenvolvendo há milhares de anos até que cheguem aos dias atuais cada vez mais aperfeiçoados.
E nós? O que deixaremos como legado para as futuras gerações? Daqui 2 mil anos o que falarão sobre nossa cultura, política, religião? Qual o seu papel na sociedade?
Não fique esperando o tempo passar. Seja agente da sua própria realidade. 


Atividade Ditadura Militar

  Título da Atividade:    Expressões Veladas: Poemas e Músicas Sobre Censura, Violência e Corrupção   Objetivo:  Desenvolver habilidades de ...