A ENTRADA DOS ESTADOS UNIDOS
MUDA O RUMO DA GUERRA
Em 1917, após três anos de
combates, os rumos do conflito ainda estavam indefinidos. Os Estados Unidos
participavam economicamente da guerra até então, com empréstimos financeiros e
fornecimento de suprimentos para a Tríplice Entente, pois temiam a derrota de
seus aliados. No entanto, em abril de 1917, navios norte-americanos foram
afundados por submarinos alemães, o que causou profunda indignação da opinião
pública norte- -americana e levou o governo a declarar guerra à Alemanha.
Após a entrada dos Estados Unidos
na guerra, a Tríplice Aliança sofreu sucessivas derrotas. Em 1918, a Rússia,
que vivia uma revolução comunista em seu território, fez um acordo de paz com
os alemães e deixou o conflito. Apesar da saída da Rússia, a Tríplice Entente
cada vez mais impunha derrotas aos países inimigos. Dos países da Tríplice
Aliança, somente a Alemanha ainda combatia os países da Entente, e com
dificuldades cada vez maiores. Nesse contexto, o presidente norte-americano
encaminhou ao governo alemão uma proposta de armistício, que propunha uma “paz
sem vencedores” e o cessar-fogo imediato. A população alemã, animada com a
possibilidade de ver a guerra encerrada, apoiou um movimento que depôs o
imperador Guilherme II e proclamou a República. O novo governo republicano
assinou a rendição, e a Tríplice Entente saiu vitoriosa. No entanto, a promessa
feita à Alemanha não se cumpriu. Os países da Tríplice Entente consideraram-na
culpada pela guerra e impuseram-lhe uma série de punições, como perdas de
territórios e pagamento de altas indenizações. Considerando esse desfecho, o
tratamento que os alemães receberam ao final dos conflitos da Primeira Guerra
pode ser considerado uma das causas da Segunda Guerra Mundial. Liderados por
Adolf Hitler, os alemães buscaram se vingar da humilhação que sofreram
O Tratado de
Versalhes
Em janeiro de 1919, representantes das principais potências
mundiais, exceto da Alemanha, reuniram-se na cidade francesa de Versalhes para
discutir o plano de paz proposto pelos Estados Unidos. O resultado nas
negociações foi a redação do Tratado de Versalhes. Os signatários do documento,
porém, não cumpriram a promessa de “paz sem vencedores” feita aos alemães. A
Alemanha não só foi considerada culpada pela guerra, como também:
perdeu todas as suas colônias e
parte (1/8) de seu território – incluindo a Alsácia-Lorena, devolvida à França;
foi obrigada a manter uma área
desmilitarizada na fronteira com a França;
teve seu Exército reduzido para
100 mil pessoas e sua Marinha, para 16 mil;
teve seu território dividido em
duas partes pelo chamado “corredor polonês”, uma faixa de terra que ligava a
Polônia ao mar Báltico;
foi obrigada a pagar 33 bilhões
de dólares aos países da Tríplice Entente como indenização pelos custos da
guerra.
Embora fizesse
parte da Tríplice Aliança, a Itália lutou ao lado da Tríplice Entente na
Primeira Guerra, após acordos com a Grã-Bretanha e a França. No entanto, ao
final do conflito, esse país também se sentiu derrotado. Além de ter sofrido
grandes perdas humanas e econômicas, a Itália ficou insatisfeita com os
territórios que recebeu por sua colaboração. Frustrados, os italianos
sentiram-se traídos pelos britânicos e franceses. Em meio às conferências
ocorridas no final da guerra, foi criada em 1919 a Liga das Nações, um
organismo internacional destinado a negociações entre países, com o objetivo de
evitar futuras guerras. Embora tenha sido idealizada pelo presidente dos EUA,
Woodrow Wilson, o país não participou efetivamente da Liga. Ao longo da década
de 1920, embora tenha atuado em alguns conflitos, a Liga não se mostrou capaz
de prevenir a escalada de hostilidades entre potências europeias, frustrando
suas finalidades iniciais.
ATIVIDADE 1
A Primeira
Guerra é uma espécie de patinho feio da cultura popular. Só para se ter uma
ideia, a Wikipedia lista 70 filmes sobre o conflito. A Segunda Guerra tem 539.
É fácil entender por que não rende muito entretenimento. Soldados atolados por
meses em trincheiras [...] ou [...] forçados a avançar inutilmente contra
metralhadoras dificilmente são material para blockbuster. As máquinas eram
poucas, lentas e desengonçadas. E, se a Alemanha faz as vezes de vilão, o
Kaiser Guilherme parece um monge tibetano se comparado a Adolf Hitler. Essa
ausência [...] é [...] injusta com a importância da Primeira Guerra. O mundo de
hoje foi parido pelo massacre. [...] Disponível em: .
Acesso em: 18 jun. 2018.
1-O fragmento aponta a Alemanha e o Kaiser
Guilherme como possíveis “vilões” da Primeira Guerra. Considerando o que você
estudou, indicar a Alemanha e o Kaiser como vilões ou culpados desse conflito é
coerente com os fatos ocorridos antes da Primeira Guerra?
2-Explique a frase: “O mundo de hoje foi parido
pelo massacre.”
RESPONDA NO CADERNO
ATIVIDADE 2
Aponte
abaixo os principais tratados feitos no pós guerra e suas decisões:
Explique
as principais consequências destes tratados para a Europa pós guerra:
O que era a paz sem vencedores proposta pelos EUA? Por que ela não foi
implementada? RESPONDA NO
CADERNO
Abaixo seguem 3 textos complementares ao estudo sobre a Primeira República, boa leitura.
A REVOLTA DA VACINA
A Revolta da Vacina
Independentemente da intenção real de seus
promotores, a revolta começou em nome da legítima
defesa dos direitos civis. Despertou simpatia geral, permitindo a abertura de espaço momentâneo de livre e
ampla manifestação política, não mais limitada à estrita luta contra a vacina. Desabrocharam, então, várias
revoltas dentro da revolta. Caminhou a conspiração
militar – Centro das Classes Operárias, que buscava
derrubar o governo; os consumidores de serviços públicos acertaram velhas contas com as companhias; os
produtores mal pagos fizeram o mesmo com as fábricas; a classe popular dos aventurosos e belicosos, como
os chamou Vicente de Souza, retomou em dimensões
mais heroicas seu combate cotidiano com a polícia. E
todos os cidadãos desrespeitados acertaram as contas
com o governo.
Era a revolta fragmentada de uma sociedade fragmentada. De uma sociedade em que a escravidão impedira o desenvolvimento de forte tradição artesanal
e facilitara a criação de vasto setor proletário. A fragmentação social tinha como contrapartida política a
alienação quase completa da população em relação
ao sistema político que não lhe abria espaços. Havia,
no entanto, uma espécie de pacto informal, de entendimento implícito, sobre o que constituía legítima interferência do governo na vida das pessoas. Quando
parecia à população que os limites tinham sido ultrapassados, ela reagia por conta própria, por via de ação
direta. Os limites podiam ser ultrapassados seja no domínio material, como nos casos de criação ou aumento
de impostos, seja no domínio dos valores coletivos.
A Revolta da Vacina permanece como exemplo
quase único na história do país de movimento popular de êxito baseado na defesa do direito dos cidadãos
de não serem arbitrariamente tratados pelo governo.
Mesmo que a vitória não tenha sido traduzida em
mudanças políticas imediatas além da interrupção da
vacinação, ela certamente deixou entre os que dela
participaram um sentimento profundo de orgulho e de
autoestima, passo importante na formação da cidadania. O repórter do jornal A Tribuna, falando a elementos
do povo sobre a revolta, ouviu de um preto acapoeirado
frases que bem expressavam a natureza da revolta e
este sentimento de orgulho.
Chamando o repórter de “cidadão”, o preto justificava a revolta: era para “não andarem dizendo que
o povo é carneiro. De vez em quando é bom a negrada
mostrar que sabe morrer como homem!”. Para ele, a
vacinação em si não era importante – embora não admitisse de modo algum deixar os homens da higiene
meter o tal ferro em suas virilhas. O mais importante
era “mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo”.
CARVALHO, José Murilo. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a
República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
p.138-139.
Reflexão sobre a relação da República com os grupos
populares e vice-versa.
O pecado original da República
[…] De acordo com os dados do censo de 1920,
teremos uma população total, representada pelo círculo maior, de 30,6 milhões. Este é o povo do censo
que, pelo menos em tese, possuía direitos civis. Mas
quantos desses cidadãos civis eram também cidadãos
políticos, quantos pertenciam ao corpo político da nação? Para calcular esse número, temos primeiro que
deduzir do total os analfabetos, proibidos por lei de
votar. O analfabetismo, na época, atingia 75,5% da população. Feito o cálculo, restam 7,5 milhões. Depois, é
preciso descontar as mulheres. Embora a lei não lhes
negasse explicitamente o direito do voto, pela tradição
não votavam. Ficamos com 4,5 milhões. Os estrangeiros
também não tinham o direito do voto. Nosso número
cai para 3,9 milhões. Finalmente, os homens menores
de 21 anos também não votavam. Ficamos reduzidos
a míseros 2,4 milhões de brasileiros legalmente autorizados a participar do sistema político por meio do
voto. Ficam fora do sistema, excluídos, 28,2 milhões,
92% da população.
Se eram poucos os que podiam votar, menos ainda
eram os que de fato votavam. Nas eleições presidenciais de 1910, uma das poucas em que houve competição, disputando Rui Barbosa contra o marechal
Hermes da Fonseca, a abstenção foi de 40%. Os votantes
representaram apenas 2,7% da população. No Rio de
Janeiro, capital da República, onde 20% da população
estava apta a votar, compareceu às urnas menos de 1%.
Votar na capital era até mesmo perigoso devido à ação
dos capangas a serviço dos candidatos. Quem tinha
juízo ficava em casa. Como disse Lima Barreto de sua
República dos Bruzundangas: “[Os políticos] tinham
conseguido quase totalmente eliminar do aparelho eleitoral este elemento perturbador – o voto”.
A eliminação do voto completava-se com a fraude. Ninguém
podia ter certeza de que seu voto seria contado a favor
do candidato certo.
Significa isso que o povo da Primeira República
não passava da carneirada dos currais eleitorais e da
massa apática dos excluídos? Seguramente que não.
Por fora do sistema legal de representação havia ação
política, muitas vezes violenta. Entre os poucos que
votavam, os que escolhiam não votar e os muitos que
não podiam votar, havia o que chamo de povo da rua,
isto é, a parcela da população que agia politicamente,
mas à margem do sistema político, e às vezes contra
ele. É difícil calcular o tamanho desse povo. Podemos
apenas surpreendê-lo em suas manifestações. E podemos também dizer que ele existia tanto nas cidades
como no campo.
Nas cidades, sobretudo nas maiores, a tradição de
protesto vinha de longe e manifestava-se o mais das
vezes nos quebra-quebras. Ela se intensificou a partir
da proclamação da República, atingindo o ponto máximo no protesto contra a vacinação obrigatória em 1904.
A novidade republicana ficou por conta do movimento
operário em fase de organização. Foram inúmeras as
greves que atingiram a capital da República e São Paulo,
além de outras capitais. Seu auge verificou-se durante
a Primeira Guerra Mundial e nos anos que a seguiram.
Calculou-se que 236 greves foram feitas na capital e
no estado de São Paulo entre 1917 e 1920, envolvendo
cerca de 300 mil operários. Em torno de 100 mil operários participaram da greve geral de 1917 no Rio de
Janeiro. Outra novidade republicana foi a participação
política dos militares, jovens oficiais e praças. A mais
conhecida e mais dramática dessas manifestações foi
a revolta dos marinheiros contra o uso da chibata, em
1910, em que se destacou o marinheiro João Cândido.
O efeito político das manifestações urbanas foi
limitado porque elas se davam fora dos mecanismos
formais de representação. O próprio movimento operário, na medida em que era orientado pelo anarcossindicalismo, sobretudo em São Paulo, fugia da participação eleitoral e nunca organizou um partido político
duradouro até que fosse fundado o Partido Comunista,
em 1922.
No mundo rural, foi igualmente intensa a participação do povo. Aí também havia uma longa tradição que foi intensificada pelas mudanças políticas
introduzidas pelo novo regime. As figuras centrais das
agitações rurais eram beatos e cangaceiros. O mais
dramático de todos esses movimentos, pelo número de
mortos, foi sem dúvida o de Antônio Conselheiro nos
sertões da Bahia. A seu modo, os beatos do Conselheiro
agiram politicamente, ao recusar o pagamento de impostos, ao rejeitar mudanças nas relações entre Igreja
e Estado. Lutando contra a “lei do cão” do novo regime,
os rudes sertanejos humilharam o Exército, que contra
eles lançou quatro expedições, e deram um exemplo
único em nossa história de fidelidade incondicional às
crenças adotadas.
Movimento semelhante ao de Canudos foi o do
Contestado, localizado em terras disputadas entre Paraná e Santa Catarina. O monge José Maria dera-lhe
início ainda no Império. Proclamada a República, seu
sucessor reagiu contra o que chamava de “lei da perversão”, o equivalente da “lei do cão” do Conselheiro.
A partir de 1911, outro sucessor de João Maria, José
Maria, lançou um manifesto monarquista e nomeou
imperador um fazendeiro analfabeto. Criou uma sociedade assemelhada ao comunismo primitivo, sem
dinheiro e sem comércio. Canudos e Contestado foram
combatidos e destruídos com violência pelo Exército,
que não hesitou em usar canhões contra sertanejos
pobremente armados.
No Ceará, padre Cícero organizou uma comunidade sertaneja que, à época de sua morte, em 1934,
contava 40 mil pessoas. Padre Cícero não contestava o
sistema, como o Conselheiro e José Maria. A seu modo,
agindo mais como coronel político, fundou uma República paternalista muito próxima da população. Manipulando valores tradicionais e colocando-os a serviço
da modernidade, reduziu a distância entre o legal e o
real, aproximou da população o poder. Alguns de seus
seguidores, como os beatos José Lourenço, Severino e
Senhorinho, fundaram comunidades radicais ao estilo
do Contestado. Padre Cícero entendeu-se com os poderes da República e foi tolerado. Os três beatos foram
massacrados juntamente com seus seguidores.
Os cangaceiros, frutos do mesmo meio social
que gerou os beatos, mantinham, como padre Cícero, contatos estreitos com os poderes da República.
Mas fugiam ao controle dos coronéis e dos governos
estaduais. Foram também combatidos sem trégua e
destruídos. Beatos e cangaceiros representavam formas
de organização e de reação construídas à margem do
sistema político. Canudos, Contestado, e mesmo o Juazeiro do padre Cícero, eram modelos alternativos de
República. Apesar de inviáveis por serem produtos do
isolamento geográfico e da imensa distância cultural
entre a população e o mundo oficial, essas Repúblicas
foram destruídas a ferro e fogo e só deixaram traços
na memória popular. A exceção foi Canudos, que foi
imortalizado por Euclides da Cunha, não por acaso um
intelectual estranho no ninho das elites.
O grosso do povo excluído era mantido sob controle pela própria organização social do mundo rural,
baseada na grande propriedade. O povo eleitoral era
enquadrado pelos mecanismos de cooptação e manipulação. O povo da rua era quase sempre tratado à
bala, nas cidades ou no campo.
Mas a República usou também métodos menos
violentos para lidar com seus excluídos. Produziu missionários do progresso que se puseram a catequizar os cidadãos incultos e tratar os doentes. Foram missionários do progresso Pereira Passos, reformador do Rio de
Janeiro, Osvaldo Cruz, saneador da cidade, Artur Neiva
e Belisário Pena, saneadores dos sertões. O maior de
todos eles, no entanto, foi o general Rondon, positivista
ortodoxo, que dedicou boa parte da vida à proteção
dos indígenas. Muito superiores pelos métodos aos
que destruíam pela força os movimentos populares,
esses missionários não estiveram imunes a uma visão
tecnocrática e autoritária. O povo para eles era massa
inerte e analfabeta a ser tratada, corrigida e civilizada.
De certo modo, eram messias leigos, com a diferença de
que não tinham o apoio popular dos messias do sertão.
A Primeira República, em seus 41 anos de existência, não fez jus às promessas da propaganda de
promover a ampliação da participação política, o autogoverno do povo. Não unificou os três povos, não
os incorporou. Não transformou em cidadãos o jeca
doente de Monteiro Lobato e dos higienistas, o áspero
sertanejo de Euclides, os beatos de Canudos e do Contestado, o bandido social do cangaço, o anarquista do
movimento operário.
A ausência de povo, eis o pecado original da República. Esse pecado deixou marcas profundas na vida
política do país. Quando, em meio à crise de nossos
dias, assistimos ao aumento da descrença nos partidos,
no Congresso, nos políticos, de que se trata se não da
incapacidade que demonstra até hoje a República de
produzir um governo representativo de seus cidadãos?
CARVALHO, José Murilo de. O pecado original da República. Revista
de Hist—ria. Disponível em: . Acesso em: 10 jul. 2018.
Sobre a relação da República com o movimento de
Canudos.
O arraial de Canudos e o silêncio do massacre
A República procurou converter Canudos num
grande exemplo: da barbárie contra a civilização; do
atraso contra a modernidade.
Faz 120 anos que ocorreu, no distante interior da
Bahia, um levante popular que invadiu a imaginação
dos brasileiros. Mais do que uma revolta isolada, Canudos anunciava a existência de muitos Brasis, no mesmo
Brasil, e o descobrimento dos “sertões”, que acabaram
virando metáfora ligeira para designar tudo o que não
se conhecia ou encontrava-se afastado da civilização
que a República inventou.
O fato é que, diferente da “modernidade” que os
novos tempos prometiam, estouraram, em várias regiões do país, movimentos sociais que combinavam a
questão agrária e a luta pela posse de terra com traços
fortemente religiosos. Levantes como Contestado, Juazeiro, Caldeirão, Pau-de-Colher e Canudos representaram o lugar do encontro entre a mística e a revolta;
um resultado pouco previsto do nosso processo de urbanização acelerada, e de desatenção com esse grande
contingente populacional. Abandonados por uma República que fazia da propriedade rural a principal fonte
do poder oligárquico, grupos de sertanejos buscaram
transpor o abismo que os separava da posse da terra,
teceram relações entre a história e o milenarismo, e
sonharam viver numa comunidade justa e harmônica.
E foi em 1896 que começou o conflito armado de
maior visibilidade da Primeira República, prontamente
transformado em bode expiatório nacional: um cancro
monarquista, diziam as elites reunidas na capital, e
muito distantes da mentalidade desses sertões. Já em
1897, com a missão de cobrir os acontecimentos para
“O Estado de São Paulo”, partiu convicto o jornalista Euclides da Cunha. Republicano de carteirinha, ele havia
embarcado para a Bahia com a certeza de que a República derrotaria rápido essa “horda desordenada de
fanáticos maltrapilhos”, acoitados num frágil arraial.
Descobriu, porém, totalmente atônito, uma guerra longa e misteriosa, um adversário com enorme disposição
para o combate, um refúgio sagrado, uma comunidade
organizada e uma terra desconhecida para ele e, aliás,
para boa parte da intelectualidade acastelada na cidade do Rio de Janeiro.
E foi justamente a partir do impacto profundo dessa descoberta, que Euclides mudou de ideia, e tornou-
-se um grande escritor. Em vez da certeza das teorias
deterministas – que condenavam a “terra dos sertões”
e “as raças dos sertanejos” – sua narrativa assumiu
um tom de denúncia. O jornalista fez muito mais que
uma reportagem de guerra: revelou o efeito das secas
na paisagem arruinada do sertão baiano e a devastação do meio ambiente produzida pelas queimadas
no semiárido nordestino; inscreveu na natureza uma
feição dramática capaz de projetar imagens de medo,
solidão, abandono; reconheceu no mundo sertanejo
uma marca do esquecimento secular e coletivo do país.
Lido alto, o trecho sobre a terra chega a sibilar, e conta
uma trajetória diferente e comum de devastação da
nossa natureza.
Em 1902 publicou “Os Sertões”, onde retomou a
história da guerra contra Canudos com um enfoque
ainda mais amplo. Euclides manteve porém o mesmo
tom de indignação. Responsabilizou a Igreja, a República, o governo baiano e o Exército pelo massacre.
Descreveu a guerra como um fratricídio, uma matança
entre irmãos, com direito à decapitação dos prisioneiros, o calvário dos resistentes dizimados por fome, sede,
doenças e pelos projéteis dos militares. Seu livro virou
monumento.
A partir de então a Guerra ou Campanha de Canudos – esse movimento sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro e que durou de 1896 a 1897 – ganhou o país. Com o passar do tempo, a região fora ocupada
por uma série de latifúndios decadentes, era assolada
por crises cíclicas de seca, e contava com milhares de
sertanejos que peregrinavam sem emprego pelo sertão
baiano. Fora apenas em 1893 que Conselheiro e seus
seguidores haviam chegado a Bom Conselho, na Bahia.
Ali assistiram a uma cobrança de impostos, que havia
aumentado muito com o advento da República, e, diante do povo reunido num dia de feira, arrancaram e queimaram os editais pregados nos muros do vilarejo. Foi o
suficiente para o governador do estado enviar soldados
para prender o beato e dissolver seu grupo. Mas nada
aconteceu como o previsto. Os policiais foram derrotados pelos sertanejos e a comunidade foi crescendo:
de 230 chegaram a 24 mil habitantes, tornando-se o
arraial de Belo Monte um dos mais populosos da Bahia.
Canudos incomodou a todos: era uma nova maneira de viver no sertão. É certo que o arraial não chegou a
representar uma forma de vida igualitária. Mas é certo
também que se tratava de uma experiência social e
política distinta: o trabalho no arraial baseava-se no
princípio de posse e uso coletivo da terra, e na distribuição do que nela se produzia. O resultado da produção era dividido entre o trabalhador e a comunidade,
a autoridade religiosa do Conselheiro não dependia
do reconhecimento da Igreja Católica, e Canudos não
estava submetido nem aos proprietários de terra nem
aos mandões locais. A República resolveu liquidar Canudos, enviando quatro expedições subsequentes. A
última delas alcançou a região em março de 1897 e era
composta de 421 oficiais e 6160 soldados armados até
os dentes. Em outubro de 1897, o Exército garantiu que
quem se rendesse sobreviveria. Mas o acordo não foi
cumprido, e muitos dos homens, mulheres e crianças
que se entregaram foram degolados. A foto de Flavio
de Barros foi tirada minutos antes da matança geral
e até hoje guarda as marcas da dor, do desespero e
do desatino nas expressões. Como se vê, lá estavam
sobretudo mulheres e crianças entregues às forças da
República. No dia 5 do mesmo mês o arraial foi invadido, queimado com querosene e dinamitado.
A República procurou converter Canudos num
grande exemplo: da barbárie contra a civilização; do
atraso contra a modernidade. O corpo de Antônio Conselheiro também fez parte da performance. Seu crânio
foi levado à capital, para que o médico Nina Rodrigues
e a ciência determinista da época dessem a última
palavra sobre “loucura e mestiçagem”. Havia mesmo
um abismo fundo entre as diferentes partes do país.
Talvez a melhor expressão desse descompasso esteja no desabafo de Euclides da Cunha, bem no final
de Os Sertões: “Fechemos este livro […] Esta página,
imaginamo-la sempre profundamente emocionante e
trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos. Vimos
como quem vinga uma montanha altíssima. No alto,
a par de uma perspectiva maior, a vertigem”. Enfim o
Brasil mostrava suas várias faces e a vertigem que ia
criando entre realidades tão distintas. Não por acaso,
nesse mesmo contexto, ganham fama chefes de bandos
armados como Antônio Silvino, Lampião e Antônio Dó;
personagens ambíguos, representativos de uma alternativa às relações de poder enraizadas na posse da
terra, mas que também reproduziam as antigas marcas da violência e do arbítrio da história brasileira. O
trecho de Euclides lembra o ensaio de Walter Benjamin
descrevendo o retorno das tropas na Segunda Guerra
Mundial. Vinham caladas, como se as palavras não
dessem conta de narrar o horror da morte, do massacre
e, no nosso caso, do descompasso entre a cidade e os
muitos sertões brasileiros.
Nova história; velha história!
SCHWARCZ, Lilia Moritz. O arraial de Canudos e o silêncio do
massacre. Retirado de .
Acesso em: 9 jul. 2018.
A Grande Guerra, como foi chamada por seus contemporâneos, antes de acontecer a Segunda Guerra Mundial, envolveu países de diversos continentes. A disputa era liderada por dois blocos que se enfrentaram: a Tríplice Aliança, composta por Alemanha, Áustria e Itália e; a Tríplice Entente formada por França, Inglaterra e Rússia.
Estes países já haviam passado pelo processo de unificação territorial que ocorreu na Europa em meados de 1848.
Primeira Guerra Mundial
A Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918, foi um conflito político e militar entre as principais potências econômicas do início do século XX. A Grande Guerra devastou as nações envolvidas, gerando traumas, problemas econômicos e muitas outras consequências que falaremos mais a frente.
Para compreender os motivos e as consequências de uma das guerras mais devastadoras é preciso retomar alguns aspectos e o cenário político e econômico mundial.
Além do enfrentamento direto das nações citadas, outras dezenas de países se envolveram na Primeira Guerra Mundial, como por exemplo Brasil, Estados Unidos, Itália, Portugal, China, Império Turco-Otomano, entre outros. O saldo final do conflito contabilizou mais de 10 milhões de mortos, entre militares e civis e mais de 20 milhões de feridos.
Causas da Primeira Guerra Mundial
As motivações para o desencadeamento da Primeira Guerra Mundial aconteceram ao longo do século XIX e XX e foram se somando até que o conflito eclodiu de fato.
Entre o final do século XIX e início do século XX, o mundo encontrava-se dividido e explorado pelas grandes potências europeias e os Estados Unidos. Em todos os cinco continentes havia dominação imperialista e as grandes potências brigavam para expandir seus territórios.
Devido ao desenvolvimento das indústrias e da economia de forma geral, o Império Alemão chegou a superar a Inglaterra em vários setores. Os alemães tomaram o mercado antes dominados pelos ingleses na Europa e no Oriente. A consagrada marinha inglesa se via ameaçada pelo grande crescimento da marinha alemã e temia a perda da sua hegemonia.
Em 1870, a Alemanha já tinha ganhado outro inimigo ao vencer a França na Guerra Franco-Prussiana, conquistando a região da Alsácia-Lorena. Com a derrota, os franceses tiveram que entregar a região rica em jazidas de ferro e carvão mineral. Nos anos seguintes os franceses sentiram-se humilhados por terem que importar carvão dos alemães.
Enquanto os germânicos começavam a colecionar inimigos, o governo e a imprensa tentavam convencer a população de que uma guerra seria benéfica. Junto ao crescimento econômico, o discurso inflamado e a propaganda, a tensão entre as nações europeias estava prestes a explodir.
Por ter chegado atrasada na distribuição das colônias na Ásia e na África, a Alemanha e a Itália ficaram apenas com as “migalhas do banquete imperialista”. Para conseguir mais colônias, uma solução apontada pelo governo germânico era atacar e dominar os países já colonizados.
Enquanto todos esses eventos aconteciam na Europa ocidental, no lado oriental do continente a Rússia, governada por um Cezar (imperador), tinha interesses em estender seu território na região dos Bálcãs. O problema é que o Império Austro-Húngaro pretendia a mesma coisa.
Como o Império Austro-Húngaro era formado por vários povos, entre eles os tchecos, eslovacos, croatas, poloneses e sérvios, a Rússia pretendia criar um Estado único para unir todos os povos eslavos, o que ficou conhecido como pan-eslavismo. Para isso, começou a estimular a revolta anti-austríaca.
Política das alianças
Diante de tantas tensões e faíscas, os países europeus começam a criar alianças para que houvesse apoio entre ambas caso uma delas fossem atacadas. Além disso, as alianças envolviam acordos políticos, militares e financeiros secretos.
As alianças foram divididas da seguinte forma:
Tríplice Aliança: formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha (mais tarde a Itália entra para a Tríplice Entente).
Tríplice Entente: formada em 1907 por Rússia, Grã-Bretanha e França.
Estopim da Primeira Guerra Mundial
Com toda essa situação crítica, a Europa tornou-se um barril e pólvora. O pavio desse barril foi aceso quando o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, resolveu visitar Sarajevo, capital da Bósnia. Enquanto o futuro rei da Áustria desfilava em carro aberto pelas ruas de Sarajevo, um terrorista da organização mão-negra disparou contra Ferdinando.
A Áustria acusou a Sérvia de estar envolvida no atentado e a troca de insultos culminou na troca de tiros em 1914. A partir daí, a Rússia declarou guerra à Áustria; Alemanha declarou Guerra à Rússia e França e Inglaterra entraram no conflito logo em seguida. A Itália tinha recebido a promessa de obter territórios que estavam dominados pela Áustria, por isso, entrou para o lado da Tríplice Entente.
Fases da Primeira Guerra Mundial
A Primeira Guerra Mundial pode ser dividida em três fases. A primeira fase é conhecida como Guerra de Movimento (1914), a segunda fase é a Guerra de Trincheiras (1915 – 1917) e, por fim, a Segunda Guerra de Movimento ou Fase Final (1918).
Nos primeiros meses as tropas tiveram como estratégia a movimentação e a ocupação dos fronts. Os alemães se movimentaram rapidamente e em poucas semanas já estavam próximo de Paris.
A partir de 1915, a segunda fase tinha como estratégia tentar conservar as posições dos fronts sem perder território para os inimigos. As trincheiras eram complexos de túneis, valas e abrigos. Ali os soldados lutavam, dormiam e comiam. Contudo, estavam expostos aos ataques aéreos, armas químicas e doenças. Os fronts eram protegidos com cercas de arames, colunas de ferros e sacos de areia.
A Guerra de Trincheirafoi o período mais sangrento dessa batalha. Os conflitos aconteciam, quase sempre, nas áreas rurais e as conquistas territoriais eram lentas. Nesse período os dois blocos estavam equilibrados e a guerra ainda não apontava um vencedor.
A terceira e última fase foi marcada pela entrada de novas armas e um contingente grande de soldados enviados pelos Estados Unidos para o bloco da Entente. Em 1917, devido a um processo revolucionário (a Revolução Russa), a Rússia deixou a guerra.
A chegada dos norte-americanos possibilitou a invasão da Itália e da França. No final de 1918, já com sinais de fracasso, o povo alemão pressionou o rei Guilherme II que abdicou do trono. Em seguida foi instaurada a república no país e a Alemanha teve sua derrota decretada na Primeira Guerra Mundial. A paz só foi de fato estabelecida em 1919, depois da assinatura do Tratado de Versalhes
Consequências da Primeira Guerra Mundial
Dentre as principais consequências da Primeira Guerra Mundial, podemos destacar cerca de milhões de mortos entre civis e militares o que provocou uma mudança no mapa da Europa. Os países derrotados entraram em grandes crises, problemas sociais como o desemprego, fome, pobreza e grande instabilidade política e social, fato que favoreceu o surgimento de regimes totalitários anos depois na Europa.
Além disso, é fundamental compreender o Tratado de Versalhes assinado em 1919, na qual a Alemanha foi considerada responsável pela guerra e deveria pagar indenização aos países vitoriosos. Neste tratado a região da Alsácia-Lorena foi reincorporada à França e os alemães foram proibidos de continuar com a produção de armamento.
Por fim, houve a criação da Liga das Nações, uma organização internacional com objetivo de reunir as potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial para negociar acordo de paz e evitar novos conflitos mundiais. Sua criação foi baseada nos 14 pontos do presidente americano Woodrow Wilson, em que consistia em bases fundamentais para a reorganização ordem mundial no pós-guerra.
Brasil na Primeira Guerra Mundial
A participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial foi tímida e aconteceu apenas no último ano, a partir 1917. Não houve envio de soldados brasileiros para as batalhas. Após o ataque de um navio brasileiro carregado de café por navio alemães, o Brasil declarou guerra à Tríplice Aliança.
A participação brasileira se deu através do envio de equipes médicas, de armamentos e equipamentos de soldados, além da exportação de produtos agrícolas como café, borracha, açúcar e demais gêneros aos aliados da Entente.
Agora que você estudou sobre a Primeira Guerra Mundial, que tal praticar alguns exercícios para fixar o conteúdo e aprimorar seus conhecimentos?
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Com o domínio da agricultura,
há cerca de 10 mil anos, a humanidade
deixou de ser
nômade,
isto é, de não ter lugar fixo para morar, sobrevivendo da caça e
da coleta. Desde então, o homem começou a domesticar plantas e
animais e a viver em torno de suas produções, o que levou ao
surgimento da primeira civilização: a Mesopotâmia.
Na
Mesopotâmia se desenvolveram várias técnicas e muitas invenções
surgiram. Criaram a escrita,
a roda,
a astronomia
e desenvolveram com
muita maestria a matemática,
a engenharia,
entre outros conhecimentos.
Nesse
super resumo da
Mesopotâmia, vamos
aprender sobre a importância de dois rios, a sociedade, as
invenções, a arte,
a religião,
a economia desses povos que formaram a primeira civilização
da história.
Aproveite!
O
que é Mesopotâmia?
A
Mesopotâmia
é uma das primeiras
civilizações conhecidas e desenvolveu-se entre os vales dos rios
Tigre e Eufrates,
atualmente onde é o território da Síria
e, principalmente,
do Iraque.
Seu surgimento se deu por volta do ano 5.000
a.C.
Ao
longo de aproximadamente 4.500 anos, foi habitada por diversos povos
que ora conviviam em harmonia, ora se confrontavam. Entre eles,
podemos citar os
sumérios, acádios, amoritas (ou antigos babilônios), assírios e
caldeus (ou novos babilônios).
Esses
povos trocaram suas culturas entre si. Assim, por exemplo, a língua,
a escrita e
a religião passaram
a ser características comuns dos mesopotâmicos. Por essa razão,
todas essas sociedades citadas acima, podem ser estudadas em
conjunto, formando uma única civilização.
O
que significa Mesopotâmia?
A
palavra Mesopotâmia foi criada pelos gregos
antigos para
designar a civilização que vivia entre os rios
Tigres e Eufrates.
Em grego, “meso” significa “no meio” e “potamos” é rio,
portanto Mesopotâmia é “aqueles que estão entre
os rios”, ou, também, “terra entre rios”.
Lembrando
que os próprios mesopotâmicos não se chamavam assim durante sua
história. Esse nome foi criado para se referir aos povos que citamos
acima.
História
da Mesopotâmia
O
desenvolvimento da
agricultura e a
criação de animais aconteceram em diferentes momentos e lugares. A
Mesopotâmia foi uma das primeiras regiões em que essas atividades
ocorreram.
Inicialmente,
os grupos que lá se estabeleceram eram basicamente
caçadores-coletores
nômades
e produziam
instrumentos feitos de pedra,
osso e
madeira.
Aos poucos, esses grupos começaram a cultivar
vegetais e animais.
Graças à isso, eles passaram a permanecer nos lugares que ocupavam,
formando as primeiras
aldeias.
Entre
os produtos cultivados por eles, podemos citar a cevada,
a tâmara,
o linho,
o gergelim,
a cebola,
o alho,
entre outros. Os primeiros animais a serem domesticados
foram ovelhas,
cabras, porcos, bois e
outros.
É
importante ressaltar que a região da Mesopotâmia é desértica,
portanto, para o desenvolvimento agropecuário os mesopotâmicos
aprenderam a lidar com as condições naturais. Na época das
cheias, os rios
transbordavam e
inundavam as áreas da planície. Quando as águas baixavam, uma
mistura de barro e húmus se depositavam sobre a terra, favorecendo
o cultivo
agrícola.
Você
já deve ter visto que os egípcios também
utilizavam as cheias do rio
Nilo para
tornar as terras cultiváveis. Por essa capacidade de aproveitar as
condições naturais de rios com características parecidas, os
historiadores chamam a região compreendida entre a Mesopotâmia e o
Egito de “Crescente
Fértil”.
As
cidades da Mesopotâmia
As
primeiras cidades da Mesopotâmia originaram das aldeias onde a
população cresceu e seus habitantes diversificaram seus ofícios.
Foi o caso, por exemplo, de Ur,
Uruk, Nippur, Lagash e Eridu,
que surgiram ao sul da Mesopotâmia, na Suméria,
por volta de 4.000 a.C.
Nas
cidades, grandes construções foram erguidas, como templos
religiosos, casas,
prédios públicos, ruas, pontes e palácios. Ao redor de algumas
cidades foram construídas muralhas e
torres de vigilância. Os templos de poder nas cidades eram os
templos e o palácio real.
Ao
norte, na região dos assírios, grandes cidades foram construídas
também. Nínive foi
chamada no Antigo
Testamento de
“cidade extremamente grande”. Assur foi
a primeira capital do império assírio.
A
família na Mesopotâmia
As famílias
mesopotâmicas eram
diferentes das que conhecemos hoje. São chamadas por estudiosos de
“famílias
alargadas”, pois
eram formadas por avós, pais, filhos, tios, primos, netos, genros,
noras, todos vivendo sob o mesmo teto. Ao casar, o homem levava a
mulher para morar e trabalhar nas terras da família dele.
Mas
essa composição familiar não foi sempre assim. Com o passar do
tempo, por volta de 2000 a.C., as grandes famílias deram lugar às
famílias mais restritas, compostas por pais, filhos e algumas
pessoas próximas.
Muitas
famílias tinham seus próprios campos, plantações e rebanhos.
Graças às riquezas das terras férteis, algumas dessas famílias
tornaram-se mais poderosas que outras. Assim, começaram a surgir as
primeiras desigualdades
econômicas.
A
religião na Mesopotâmia
Os
povos mesopotâmicos eram politeístas,
ou seja, cultuavam diversos deuses ao
mesmo tempo, muitos relacionados à natureza. Por exemplo, Anu era
considerado o deus do céu; Ishtar era
a deusa da fertilidade e do amor; Enlil era
do deu do ar; Shamash a
divindade do sol e da justiça.
Eles
acreditavam que após a morte o espírito das pessoas ia para um
mundo inferior, um lugar sem retorno. Por esse motivo, homens e
mulheres queriam aproveitar ao máximo suas vidas, e talvez, por
isso, a juventude era considerada a melhor etapa da vida.
As
cidades tinham um deus protetor, e os moradores construíam um templo
para esse padroeiro. Mas algumas cidades tinham templos para vários
deuses. Só na Babilônia havia
cerca de 50 construções dedicadas à religião.
No
templo, os sacerdotes conduziam
as cerimônias religiosas. Eles também exerciam atividades
econômicas e influência política, sobretudo nas cidades sumérias.
O Zigurate era
uma típica construção religiosa. Era composto de várias
plataformas, sugerindo o formato de uma torre de vários andares. No
topo, era erguido o templo ao deus local. As torres também eram
utilizadas como observatórios
astronômico, de
onde os sacerdotes observavam o céu para estudar as estrelas.
A
escrita na Mesopotâmia
A escrita
suméria é
considerada a mais antiga do mundo. Por que será eles criaram a
escrita?
A vida
nas cidades mesopotâmicas tornava-se cada vez mais complexa. Os
sacerdotes, por exemplo, já não podiam confiar apenas na memória
para registrar os empréstimos de animais, o pagamento a
comerciantes, o controle de produtos estocados em seus armazéns,
etc. Por isso, eles inventaram uma forma de registrar que pudesse
ficar gravada, ou seja, a escrita.
A
partir de 3000 a.C, o uso da escrita ganhou outros espaços e passou
a servir para registrar ensinamentos
religiosos, leis,
literatura, etc.
Assim, os mesopotâmicos foram os primeiros povos a registrar seu
cotidiano.
Para
escrever, os sumérios utilizavam uma placa de argila
molhada e uma
peça de madeira ou metal em forma de cunha. Foi devido a esse
instrumento que a escrita ficou conhecida como cuneiforme.
Depois era só cozinhar a argila no forno para que a placa ficasse
rígida e os registros gravados.
Direito
na Mesopotâmia
Foi na
Mesopotâmia que criaram as primeiras leis escritas. O código mais
antigo que se tem conhecimento é o Código
de Hamurabi, rei da
Babilônia.
O
chamado Código
de Hamurabi reunia
normas sobre diversos assuntos da vida cotidiana. Trava de crimes,
questões comerciais, divisão social, casamento, herança, etc. Esse
conjunto de leis instituiu o princípio (ou lei) de Talião.
Uma vítima poderia se vingar praticando o mesmo mal recebido pelo
seu agressor. O princípio de Talião proporcionou a conhecida frase:
“olho por olho, dente por dente”.
Todas
essas normas foram estabelecidas a partir de costumes que já eram
praticados entre os povos da Mesopotâmia, mas só foram organizadas
em forma de leis a partir da escrita.
Política
na Mesopotâmia
A
partir do ano 2.000 a.C., o poder do rei começou a ser passado a
seus parentes, dando origem às monarquias
hereditárias. Na
sociedade mesopotâmica, o poder do rei estava ligado à religião,
pois ele era visto como uma pessoa enviada por deus para governar
aquela sociedade. Portanto,
a vontade do rei era também a vontade de deus.
Com o
passar do tempo, os reis dominaram boa parte da economia, controlando
uma série de oficinas, onde eram produzidos objetos de
metal, cerâmica,
tecidos, mobílias,
etc. Com exceção da elite, o restante da população masculina
livre era obrigada a fazer trabalhos para o rei. Poderia ser a
construção de palácios, de muralhas da cidade, canais
de irrigação, celeiros,
etc. A imposição dessas obrigações é conhecida como servidão
coletiva.
Cultura
na Mesopotâmia
A arquitetura desponta
como uma das principais expressões artísticas da Mesopotâmia,
principalmente os palácios e os templos. A escultura
e a pintura faziam
parte da decoração do interior das construções, e, geralmente
representavam seus deuses, os reis, a vida cotidiana, os guerreiros,
a criação de animais e as plantações.
Na literatura,
o principal destaque é a Epopeia
de Gilgamesh.
Trata-se de um poema escrito pelos sumérios por volta do ano 2000
a.C. Gilgamesh era um rei de Uruk e procurava a imortalidade. A
epopeia foi encontrada na antiga cidade de Nínive, em escavações
arqueológicas no
ano de 1849. Lendo essa história podemos observar diversos elementos
da mentalidade e da cultura dos mesopotâmicos, como a busca pelo
poder e a visão da vida e da morte.
Mesopotâmia
e Egito
O Egito
e a Mesopotâmia têm
muitas características em comum. Juntos, formaram as primeiras
civilizações da humanidade e contribuíram com a criação e o
desenvolvimento de diversas coisas que são essenciais para a vida
humana moderna.
Podemos
citar os rios
Tigre, Eufrates e Nilo como
condições fundamentais para a prosperidade das ambas as
civilizações. Graças às suas cheias, as regiões
desérticas que
compreendiam os dois povos, eram fertilizadas e produziam muitas
riquezas.
As
religiões eram politeístas,
baseadas em deuses ligados à natureza. Nas duas civilizações, a
religiosidade estava atrelada ao poder. Servia para legitimar o poder
do rei com a justificativa de ser um enviado de deus. No Egito,
especificamente, o faraó era considerado o próprio deus
encarnado.
Egípcios
e mesopotâmicos coexistiram e fizeram grandes trocas
culturais,
praticaram o comércio entre
seus povos e despontaram como grandes civilizações.
Características
da Mesopotâmia
Vimos
muita coisa sobre a Mesopotâmia até aqui. Aprendemos sobre cultura,
religião, história, política… Vamos analisar, através de um
esquema, as principais características dos povos mesopotâmicos e
ressaltar as coisas mais importantes que você precisa saber.
Sociedade
hidráulica (dependência dos rios Tigre e Eufrates);
Religião
politeísta (crença em vários deuses);
Monarquia
hereditária (poder
passado de pai para filho);
Invenção
da escrita (cuneiforme);
Desenvolvimento
da agropecuária;
Criação
de códigos registrados através da escrita (Código de Hamurabi);
Coexistência
de vários povos (sumérios, acádios, caldeus, amoritas e
assírios);
Surgimento
da astronomia (observação do céu pelos sacerdotes).
Curiosidades
da Mesopotâmia
Por ter
sido a civilização mais antiga, os mesopotâmicos foram precursores
de várias invenções e tecnologias da humanidade. Foram eles que
chegaram na frente ao descobrir várias técnicas, formas de
construção, desenvolvimento agrícola, etc.
A
roda, por exemplo,
foi inventada há cerca de 6 mil anos para o transporte de grandes
blocos de pedras utilizadas nas construções de templos
e palácios. Mais
tarde esse invento revolucionou os transportes e proporciona hoje a
utilização de carros,
aviões, bicicletas,
etc.
Os
canais e diques utilizados
na irrigação das lavouras até os dias atuais, também foram
criados pelos mesopotâmicos diante da necessidade de levar água
para plantações mais distantes das margens dos rios Tigre e
Eufrates.
Na matemática,
desenvolveram cálculos,
números e formas de calcular áreas. Graças à necessidade de
construir templos e palácios, a matemática teve que ser aprimorada.
História
é mesmo uma matéria incrível. Por meio dela, descobrimos como
viviam os povos antigos e quais legados eles nos deixaram. Podemos
perceber como os objetos, as técnicas, as formas de pensar foram se
desenvolvendo há milhares de anos até que cheguem aos dias atuais
cada vez mais aperfeiçoados.
E nós?
O que deixaremos como legado para
as futuras gerações? Daqui 2 mil anos o que falarão sobre nossa
cultura, política, religião? Qual o seu papel na sociedade?
Não
fique esperando o tempo passar. Seja agente da sua própria
realidade.